O Amante, ou o erotismo de Harold Pinter

Marido e mulher, os seus amantes e os fetiches em se que enredam são elementos da peça que junta Albano Jerónimo, Claúdia Lucas Chéu, Custódia Gallego e Virígilo Castelo no Teatro da Trindade


Harold Pinter desperta sempre o sentido e a curiosidade, pois sabe-se que as suas peças espicaçam a moralidade ao expor a essência dos seres humanos no que lhes é mais básico e natural – o prazer. E O Amante é disto exemplo.

Começo por esclarecer que não pude estar no ensaio de imprensa, pelo que pronunciar-me sobre o que não vi e o que não senti seria de total desconsideração pela equipa que faz acontecer O Amante. Mas, enquanto não assisto à peça que estreia dia 18 de Setembro, deixo-vos sim a minha expectativa – que é grande. Porquê?

Em primeiro lugar, porque é Harold Pinter, o dramaturgo inglês distinguido com o Nobel da Literatura em 2008 e que é considerado um dos mais influentes e polémicos da sua geração. As suas obras abordam a tensão gerada pelos ímpetos, ou desejos, inatos – a luta pelo poder, o sexo, o amor -e expressam-se com ambiguidades, silêncios e pausas, ironia e drama, os segredos. O ritmo de qualquer tensão, digo eu.

Talvez em 1962, altura em que Pinter escreveu esta peça (O Amante foi escrita específicamente para televisão), o impacte do tema tenha sido de outra dimensão, afinal seriam outras mentalidades. Ou não. E aqui pego no outro motivo para esperar um excelente momento de teatro.

É que pouco importa a época em que um texto foi escrito quando se sabe tirar o melhor partido do que lá está – a encenação, a direcção de actores e o elenco encarregam-se de nos impactar. Estou deveras curiosa para ver como Albano Jerónimo e Cláudia Chéu pegaram no argumento, como dirigiram Luís Puto, Custódia Gallego e Virgílio Castelo, e, claro, como será a dinâmica do elenco.

O Amante estará em cena no palco da Sala Estúdio do Teatro da Trindade, em Lisboa, de 18 de Setembro a 10 de Novembro 2019. E no dia 29 de Setembro, haverá conversa com o público – a não perder!

Outras notas sobre esta peça: Título original The Lover | Tradução de Pedro Marques | Assistente de encenação Luís Puto |Apoio à dramaturgia Cláudia Lucas Chéu | Apoio ao movimento David dos Santos | Música original de Rui Rebelo | Desenho de luz Rui Monteiro | Cenografia e figurinos António MV | Direcção de produção Francisco Leone | Produção executiva Luís Puto | Co-produção Teatro da Trindade INATEL e Teatro Nacional 21 Fotografias ©Filipe Ferreira, cedidas pelo Teatro da Trindade